Esta semana fui ao BAFICI, um festival de cinema independente renomado aqui em Buenos Aires, e vi alguns filmes e algumas palestras. Para quem não sabe, cinema independente implica em fazer filmes sem fundos de apoio monetario e/ou com fundos reduzidos. Nesse tipo de festival encontramos muitos filmes experimentais, sem linha narrativa, priorizando a imagem ou som diante da historia. Logo no primeiro filme que vi ja me deparei com um desses.
Fomos Mica (brasileira minha amiga), Monize e eu. Vimos um filme chamado "La casa". Chegamos na sala um pouquinho tarde pois estavamos comprando refri e pão de queijo, sim existe pao de queijo aqui, muito do fajuto por sinal. Como os lugares nao eram marcados, chegamos na sala e sentamos la na frente, e com os creditos iniciais subindo. Iamos começar a conversar enquanto o filme não começava, mas umas pessoas começaram a nos chingar, mesmo ainda estando nos creditos. Como os creditos eram silenciosos, eu bocudo virei pra tras e disse "ainda não começou, não entendi as reclamações", mas fui chingado denovo. O argentino no cinema é um robo, não demonstra sentimento nenhum...mas afinal, que esperar de um povo que não come pipoca salgada no cinema.
Depois do filme o diretor foi até a frente para responder perguntas e tudo mais.
No outro dia fomos ao planetario ver um filme em 360.
Vimos um filme chamado "THE WALL". Pink floyd. Se é que isso possa vir a ser chamado de filme; ele foi muito bem falado pelos festivaleiros e quase não tinha ingresso... decepção.
No começo ficamos maravilhados com uma tela enorme, cadeiras reclinadas quase como camas, e imagens gigantes em 360, mas infelizmente isso só durou 5 minutos.
Sai correndo da faculdade e paguei por só 5 minutos, porque depois disso vira aquelas coisas psicodelicas que passam no windows media player enquanto escutamos a musica. Dormi mais da metade e ainda acordei com dor de cabeça.
Depois do filme fomos de metro pra casa. Uma coisa engraçada que aconteceu no metro foi que 4 bate carteiras viram que eramos turistas e ja ficaram urubuzando. Entraram no mesmo vagão que nós e tudo mais, depois acabaram percebendo que iam ter que aprender muito pra roubar alguem que morava em São Paulo, e foram roubar a um outro cara. Sempre a mesma lenga-lenga de metro lotado abrir a mala das pessoas ou puxar a carteira do bolso, truque velho no Brasil! Se encostaram em um cara; um distraia ele perguntando se ia descer na proxima, outros 2 de guarda e o dedos leves tentando puxar a carteira; mas o cara se tocou e eles tiveram que cair fora do vagão na outra estação.
Finalmente começou a faculdade! Basicamente tenho trabalhos pra fazer todos os dias, e como cinema é uma arte coletiva sempre temos que nos juntar na casa de alguem. Para essa semana: roteiro de um filme, roteiro/planejamento/gravação de outro, seminario para apresentar para a classe sobre semiologia, analise do filme Amelie, 3 filmes para ver.... e a lista continua. Mas assim que é bom.
Tenho uma tese de comparação de que a faculdade é estar no alto mar. Voce sempre tem que estar batendo os pés ou se não afunda, as vezes mandam ondas enormes que temos que remar para passar antes que elas quebrem e quanto pensamos que vem o marasmo ai esta outra onda. Alem de tudo para não morrer de fome temos que caçar nossos peixes...começamos com um lambari e vamos até a baleia. E com isso nossos braços ficam mais fortes a cada onda que passe vamos fazendo menos esforço, cada vez menos, até que no final vem um barco e nos tira da agua. A lição serve para que aprendamos a nadar, caçar nosso proprio peixe e que nunca nos afogamos.
Agora deixa eu ir que semiologia me espera...
Caio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário